Danilo's profileUm Nome para Tudo IssoBlogLists Tools Help

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    October 27

    Madrugada

    Olhe bem, sou eu
    Cansado, distante
    Contemplo o errante
    E o alívio do breu

    Nada, nem ninguém
    Vê com meus olhos
    Ou sente o mesmo ódio
    De perder a ilusão do bem

    Deem-me um nome, indiquem uma cura
    Digam que não sou igual
    Mas que não me tirem a doçura
    E meu chão de sonhos simples e tal

    Que nem toda lágrima minha
    Diz a minha essência
    É apenas uma ausência
    E um tormento que caminha

    E o espelho, sereno
    Apenas diz o que vê
    Como o mundo, que do meu ser
    Deseja o brilho pleno

    E a agonia é finda tanto quanto linda
    Há uma luz no fundo do olhar
    E o desprezo de quem sorri
    É a força que quero guardar

    As cores são mais vivas
    Pra quem sabe o escuro tratar
    Que me digam, me apontem
    Mas meu chão é só meu para pisar
    October 05

    Uma chance para recomeçar, nenhuma chance para mudar

    São 15h35 de uma segunda-feira. É um dia quente e eu estou cansado, com fome, suando e louco para chegar em casa. Faltam dois pontos até o terminal. Olho para o relógio do celular. Talvez dê para chegar antes das 15h40 e pegar o Mossunguê, que para mais perto de casa. Mas isso não será possível.

    O ônibus faz um brusco desvio para a esquerda. Ouço um barulho baixo, como uma pancada abafada, bem abafada. Não ouço nenhuma freada brusca, e o veículo reduz a velocidade até parar.

    Tudo se mistura. Parece que muitas pessoas já sabem o que aconteceu. Eu, não. Vou até a parte de trás do carro, onde alguns passageiros estão aglomerados. Não são necessários muitos passos até ver e constatar: há um corpo na rua.

    As portas estavam todas fechadas. Sinceramente, eu não sabia para onde ir, apenas me dirigi para a frente do ônibus. Uma passageira chora copiosamente. “Senta, filha”, diz uma senhora próxima. Mais para frente, chegando na porta de emergência, vejo o motorista ao telefone: “Um cara se jogou na frente do ônibus, eu passei em cima da cabeça dele. Vem pra cá.”

    Desço do veículo e caminho na direção do corpo. Totalmente inerte. As pessoas começam a se aglomerar. Celulares estão a postos. Mãos cobrem bocas. Cabeças balançam negativamente. A cena choca. Já tenho certa experiência – não ao vivo –, e simplesmente sou capaz, desumanamente capaz, de não tirar os olhos de tudo, do que está inteiro e do que está em pedaços.

    Não há uma quantia assustadora de sangue. Pelo menos não quanto pensei que seria. O tom é outro: pálido. Uma espécie de amarelo, definido pela incapacidade de comparar o que se pode ver com algo do mesmo tom. Simples incapacidade.

    Um funcionário da DIRETRAN aciona o socorro médico. Ou o IML, não consigo precisar. Começo a fazer de volta o caminho até o ônibus, olhando tudo com mais atenção. Percebo algo que acho ser uma sonda na barriga da vítima. No caminho, troco algumas palavras com curiosos, comentando as palavras do motorista. Aquela sonda, ou o que quer que seja, reforçam as palavras dele. Como? É um raciocínio simples. Problemas de saúde, ele deveria estar com problemas. Pelo que consegui ver das costas, parece-me uma pessoa jovem. Neste momento, chega uma viatura da polícia.

    Entre todas as palavras proferidas, descubro que o agasalho da vítima fora levantado por sobre a cabeça, em uma tentativa de amenizar a cena. Também ouço que um vendedor de cartões do ESTAR teria dito ao fiscal da DIRETRAN que a vítima balançava para a frente e para trás na calçada, indo na direção da canaleta e voltando.

    Voltando para próximo do ônibus, percebo que o segundo pneu está sujo. E não é de asfalto, nem de sangue, o que me deixa um tanto atônito.

    O motorista está tremento ao lado do ônibus. Um policial se apresenta, pergunta se ele era o motorista do ônibus acidentado, pede identificação e diz para que ele se sente. O policial se afasta, e uma mulher se aproxima: “Você não teve culpa”.

    A frente do carro está intacta. Os estragos só são vistos a partir do segundo pneu. E por todos eles até o último. Após conversar com uma colega jornalista e alguns curiosos, volto para o local onde está o corpo, agora coberto.

    Policiais tiram fotos, desta vez não por curiosidade, mas para efeitos legais. Eles retiram o cobertor branco e abaixam o agasalho também. Duas coisas ficam evidentes: os cabelos brancos e a razão pela qual algum prestativo ser cobriu o que era possível ver. Não era um jovem, como antes pensei.

    Não há mais razão para continuar naquele lugar, e, por alguns instantes, penso se deveria ter ficado por tanto tempo. Novamente vou na direção do ônibus e do motorista, por uma simples questão de direção: é para lá que está minha casa. Ele está dentro do ônibus, com a mulher que o apoiou durante todos os momentos. Aproximo-me da porta 1, e as únicas palavras que consigo dizer são: “Força, cara”. Ele me acenou um tímido “jóia” com a mão.

    Chegando em casa, observo que as notícias circularam, e o acontecido já é informado como suicídio. Preciso, sem a mínima chance de dar errado. Um sinal claro de desespero. Porém, a dúvida que me persegue agora é se outra vida será perdida de um jeito ou outro. A vida de quem, por mais inocente que seja, fatalmente perseguirá a si mesmo por estar naquele local, naquele instante e não ter tido nenhuma chance de mudar o que estava decidido. Nenhuma chance.

    August 22

    Silêncio por hoje

    Não quero crer
    Que a dor levou um anjo
    Não vou entender
    Como o riso virou pranto

    Silêncio é rei
    Do solo daquilo que não se vê
    Nem por isso sei
    Como encarar do ouro o pó

    Que siga fugaz
    Quem um dia abrilhantou instantes
    Não chore mais
    Se nada será como antes

    Que o peito em dor
    Ferido, mas ainda gigante
    Se cure em paz
    Silêncio por hoje

    Olhos não veem
    O que outros olhos tentam esconder
    Mas não há dor maior
    Do que a pureza de um ser

    Tão repentina sedução
    De dúvida a franca convicção
    De que tudo na vida deve acontecer
    Passando por entre os dedos, pelas mãos

    Se uma escolha com fé
    Vale mais do que todo amor
    Espero que, sob seus pés
    Nenhum solo carregue a dor

    Não haverá penitência divina
    Maior do que a dor e a sina
    De tentar entender
    O que meus olhos perderam
    Mas que os seus tanto sentiram

    Não haverá culpa, remorso
    Não haverá falha fé, sentimento impróprio
    Haverá a falta, indubitável
    De saber que alguém se foi
    E que isto foi inevitável

    July 28

    "Por isso uma força..."

    Era um dia normal. Meus passos em um trajeto já conhecido e determinado. Minha voz incomodada e um pouco gasta. O céu, negro. Mandando chuva há dias. As ruas, as mesmas. Um tanto mais vazias. Minha cabeça, um sutil tormento. Ainda desconhecido.

    Tudo começa a ficar mais lento e a impressão de que todos me olham é grande, começando a ficar dominante. De costas para casa, mas mesmo assim em direção a ela, as gotas no vidro ficam entre mim e tudo que meus olhos podem ver. Mas este tudo não é muito.

    É um golpe simples, porém fatal. Há poucos instantes, minha casa era minha casa, e meu caminho era certo. De repente, entre o simples gesto de baixar a cabeça e a tensa resposta de erguê-la novamente, meus olhos parecem se entregar. Levam com eles minha boca, que logo compadece e se rende, fechando-se, tentando lutar com o ar. Mas não demora muito, e o ar que vinha tranquilamente começa a falhar.

    Os movimentos se repetem, mas a frequência passa a ser maior. Se por um lado é incompreensível, por outro cria minha própria armadilha: “Sempre sabemos porquê temos o coração apertado”. Mas, desta vez, eu não sei. E me sinto péssimo amigo, conselheiro, homem, ser.

    Ainda sentado, ainda de costas, ainda sem entender. Ou eu acabo com tudo em um simples suspiro, esperando que seja um consolo, ou então vou além. Vou descobrir. Mas essa descoberta é traidora. A imagem do palhaço com uma lágrima escorrendo pelo rosto vem à cabeça,  e é como se eu desejasse ser o personagem.

    Minha casa já não é minha casa. É o lugar frio onde o protocolo de chegar, deitar e dormir – tudo em silêncio – me espera. E todos aqueles que imagino agora, penso em poupá-los. Eles não precisam saber disso.

    Me levanto, e ainda é preciso andar um pouco. Há rostos desconhecidos ainda, então duas forças duelam: acabar com tudo isso agora e evitar mais condenações desconhecidas ou simplesmente ignorá-las. A primeira vence. Por pouco tempo.

    A avenida está livre, apenas carros passam. Meus olhos se fecham cada vez mais fortemente, mas minha sensação já não é de dúvida quanto ao que vai vir. Parece-me que até eles estão desistindo, pois não há nada a tirar de mim. Mas agora não são meus olhos que tentam liderar a situação, são meus passos.

    Quanto mais próximo de “casa”, mais forte é a vontade, mas também é o esforço para tentar entender. E essas forças se anulam. Se por um lado eu quis chorar, por outro, quis entender. No final das contas, nada mudou. As paredes continuam frias. A chuva continua. E eu, me traí. Eu disse a alguém, com todas as letras: “Sempre sabemos porque o coração aperta”. Não, nem sempre. Poucas ou muitas vezes, queremos chorar. Alguns sempre conseguem. Outros, nem sempre.


    July 21

    Se há de ser o fim

    Palavras vêm, nem sempre vão

    Acalmam bem a solidão

    Toda minha dor já lhe atirei

    Com extremo rancor, até ceguei


    E agora a despedida já não é feroz

    Mais sensata é minha voz

    Tudo está quase bem

    Se por um estranho momento, se lembrar de mim

    Com mais fé, abrace o fim

    E o conforto vem

     

    Não fique o mal de ofensas vãs

    Que um novo final venha amanhã

    Amargo é o féu, mas nem sempre o fim

    Se até o céu, desejamos assim


    Se não somos os atores de nossas vidas

    Somos dores e feridas

    Sempre em outrem

    Prova maior de zelo e de atenção

    É romper laços de mãos

    Que já não se têm

     

    Espero que o sorriso teu

    Tão forte e sincero, um dia meu

    Que carregue o que vivemos juntos

    Mas que não cegue a novos mundos

     

    E se ainda há algo sincero a dizer

    Compartilho com você

    Enfim feliz

    Perdoamos nossos erros

    Como queremos perdão

    Se quem mais me machucou

    É quem assim o diz

    July 15

    Qualquer fé

    Diante do pesar que a mim convém

    A força faz-se plena

    Quando o sorriso espera alguém

    Se toda a dor carrega um sonho

    Então me cabe a crença

    A fé na paixão que vem do acanho

    Que todos, um dia, têm

     

    Toda dor tem um nome

    Toda dor tem um fim

    Todo amor tem a sua dor

    Se quiseres assim

    Se de saudades e tristeza

    Fez-se o pranto tão seu

    Vem do pranto a beleza

    Que desfaz o breu

     

    Cesse toda lágrima, que um abraço seja, enfim

    Tudo que você precisa

    Para acreditar em si

    Não há martírio que supere

    Ou ausência que é maior

    Nenhuma história se repete

    Nada acaba feito pó

     

    Toda dor tem um nome

    Toda dor tem um fim

    Todos nós temos medo

    E crescemos assim

    Se por um dia o seu rosto

    Entre suas mãos se escondeu

    Os mesmos olhos marejados

    Brilham mais, porque são seus

     

    Um instante, desde que seja de fé

    Faz de um sofrimento todo, o bravo solo de seu pé

    Se não sabes de onde vem, até onde vais

    Saiba que o melhor entre extremos

    É não deixar de sorrir jamais

     

    Pelo tempo que nos resta

    Não pelo que começa além

    Não se atenha à tristeza

    O lado mais fraco do bem

    Se toda vida tem suas rimas

    Eis a ironia mor

    De tantos sentimentos

    Rimar amor e dor


    June 29

    Só mais uma...

    É como ver de perto seus pecados
    Conversar com o único que entende
    É se sentir sozinho em meio ao mundo
    Porque se está só e
    O céu azul
    Você não vê
    E quem fecha a porta é só você

    Os olhos tão cansados das paredes
    E a vida segue à cabo a contradição
    As flores que tanto surgem fora ao cerco
    Nunca tocam os dedos de minhas mãos e
    O bem que há
    É não tocar
    A fonte de tanto anseio

    O medo do carinho me atormenta
    Não é maior que meu maior tormento
    Viver o amargo gosto do meu canto
    Sem vida, sem luz, nenhum alento
    Eu não queria
    Mas é a sina
    Recluso em meio a tudo que não quero
    May 03

    Histórias, personagens, sentimentos e pessoas reais

    Essa é a história de como amor, saudade e distância fazem parte de um ciclo. É apenas mais uma história de amor hoje, mas nenhum mortal pode ousar dizer que ela não pode se transformar em um amor para a história.

    A definição fria, do tipo preto no branco objetivo e simplista do dicionário aponta amor como o “sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa”. Ousadamente, quase desumanamente, as palavras outrem e coisa estão a poucas outras palavras de distância, como se houvesse alguma relação entre esses tipos tão diferentes de amor.

    Já distância é apontada como “espaço entre duas coisas ou pessoas” e “intervalo de tempo entre dois momentos”. Saudade, por sua vez, leva em seu significado um conceito mais humano, como a “lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las”.

    Pobre dicionário viciado em explicar tudo da maneira mais convencional para que tenhamos essas respostas na ponta da língua. Se ele soubesse como a distância fortalece nossos amores, ou como nos apegamos inexplicavelmente ao que está a milhares de quilômetros longe, esse tal dicionário não seria tão cruel com nossos laços.

    Com lágrimas nos olhos, voz enfraquecida por uma lembrança atravessando sua mente e uma platéia de aproximadamente 700 pessoas, veio aos meus olhos e ouvidos o depoimento legítimo – transformado temporariamente em cumprimento ao protocolo de uma colação de grau – de uma pessoa comemorando uma conquista, mas abalada por saber que pelo menos a representação de metade dos seus melhores sentimentos não estava ali.

    “Muitos dos nossos amores estão aqui, e outros, não. Mas não é a falta deles que deixa um vazio”, ela começou. Mas havia um vazio, uma necessidade que eu mesmo já passei. Imediatamente tomei consciência sobre o que ela estava falando. Os olhos dela tentavam se decidir entre o papel, os presentes e aquilo que ela não podia ver (mas certamente ela sentia).

    As palavras seguintes logo confirmaram aquilo que imaginei. “Pelo contrário, eles se fazem presentes mesmo longe e ficam na lembrança. É só fechar os olhos e pensar em todos os momentos bons já vividos que a dor da saudade diminui. Afinal, quem disse que, para estar junto, precisa estar perto?”

    Eu puxei um leve sorriso, contemplando a fina maneira que as formalidades ironizam – mesmo que sem culpa alguma – nossos sentimentos e momentos vividos. Com os olhos umedecidos e lágrimas pelo rosto, alguma ausência estava clara naquele momento.

    Confesso que, apesar de me identificar com a situação, aquilo não ficou na minha cabeça. Foi apenas dois dias depois, em mais uma formalidade que cumpre tradições, que tudo se juntou como em um quebra-cabeças. Um quebra-cabeças distante e com algumas peças ainda não encontradas.

    Os formandos estavam perfilados. Chamados um a um, começaram a dançar. Passou a primeira valsa, marcada pela disciplina e os leves sorrisos entre pais e filhos. Pelas caixas de som em volume alto, claro e até mesmo um tom brincalhão, uma surpresa foi anunciada. Então várias cabeças se moviam procurando alguma resposta, muitas delas procurando até mesmo o que acreditavam ser tal surpresa.

    Veio então a segunda valsa e o anúncio mudou ligeiramente de tom: “A surpresa está pronta?” Para mim estava muito claro que talvez não fosse uma brincadeira para a descontração dos presentes.

    A terceira valsa começou. Ao pé do ouvido, fui avisado claramente: “Eu sei o que vai acontecer, é uma surpresa. Fique olhando!” Poucos passos de valsa depois, da área reservada à banda, vi um rapaz ligeiramente apressado, bem aprumado e com uma flor em sua mão. Seus passos estavam acelerados e o seu destino parecia estar definido desde o momento em que se revelou.

    Dois toques leves nos ombros de um outro rapaz – um rapaz com mais “vivência”, mas claramente um rapaz – indicavam a presença de quem, dois dias antes, era a ausência e o motivo de um choro formalmente contido. Ele tomou o lugar do outro "jovem" e tomou a garota em seus braços. A garota com lágrimas nos olhos dois dias antes.

    Dois passos para trás e um desequilíbrio não tão leve, suficiente para que outros presentes percebessem e oferecessem o equilíbrio necessário, começaram a esclarecer essa história.

    Muito mais que dois beijos entre os dois colocaram as peças que faltavam neste quebra-cabeça. A saudade estava acabada, mesmo que temporariamente. A realidade estava em cheque, uma vez que o semblante da apaixonada deixou transparecer que, para ela, nada daquilo era real. Ela precisou de mais abraços, mais toques e mais beijos para perceber como havia sido contemplada.

    Mas isso era difícil. A cada abraço, cada toque e cada beijo, eu via os dois levitarem, ironicamente se distanciando de todos à sua volta para aniquilar a distância que tanto os sufocava.

    “O namorado dela mora nos Estados Unidos e veio para cá fazer uma surpresa. Estava tudo combinado com a comissão”. E a última peça desse quebra-cabeça foi encontrada. Ou melhor, caiu nos meus ouvidos.

    Só mesmo quem enfrenta quilômetros e bons momentos distantes sabe o que é ter nas mãos, no rosto e por todo corpo aquilo que se imagina quando a distância impera, mesmo que por poucos momentos. Só mesmo quem conta meses, semanas e dias para ter novamente alguém por perto sabe o que é passar pelo ciclo amar, se distanciar, sentir saudade, ter de volta e amar de novo. Eu só não chorei porque minhas lembranças desta mistura de sentimentos ganharam um ponto final. Mas tive vontade. Para compensar, eu rí. Um sorriso leve, feliz pelo momento único que muitos presenciaram.

    Essa é a história de como amor, saudade e distância fazem parte de um ciclo. O ciclo que começa com o sentimento mútuo entre duas pessoas, passa pela tortura da distância e se renova quando tudo se encontra novamente.

    Ficou claro para mim que esta não é somente mais uma história de amor. É um amor com história própria e que me lembrou da minha história. Também me lembrou como é bom amar. E como é melhor amar em meio aos mais difíceis períodos de distância. E como a distância fortalece nossos laços.

    Hoje, creio que a distância voltou a imperar nessa história. O choro é legítimo nesses momentos para quem tem a nobreza de se entregar às lágrimas, mas a vontade de se ver é maior e fortalece tudo.

    E que nenhum mortal ouse simplificar o amor como o que está perto e o que conseguimos tocar. O amor físico é parte – fundamental, diga-se de passagem – de  um conjunto de sentimentos que ninguém explica, ninguém entende e que poucos vivenciam dessa maneira.
    November 04

    O Conforto da Ira - Parte 1

    Sonhos à solidão
    Como viver fingindo o bem
    Raiva à condição
    De me ater ao que não convém

    Veja quem se mostrou
    Do sorriso ao mal que fincou
    Ira, serpente só
    Como em um bote do pó ao pó

    Faço uso do que é dor
    Aparento meu rancor
    E com angústia de quem não quis ver
    Que a glória de viver
    É um prêmio a um preterido, ou ao filho sem sentido
    Todos fingem estar bem nas mentiras que convêm

    Gritos ecoam sós
    Em pleno escuro, desfazem nós
    Mentiras, em doce tom
    Moldam o cenário, minha alma, me dizem quem sou

    Preso ao que passou
    A um ninho torto, desfeito em dor
    Veja, o sorriso esvaneceu
    E o egoísmo foi quem venceu

    Já usei de toda a dor
    E maior é meu rancor
    E a angústia já passou, e fé
    Com prazer alheio estou de pé
    E um prêmio a um preterido, ou ao filho sem sentido
    Todos fingem estar bem nas mentiras que convêm

    Se eu chorar ninguém vai ver
    Pois não choro sem saber
    Que as lágrimas de quem não tem fé
    Mantêm o remorso em pé
    De quem racionalmente faz mal, julga e condena
    Todos fingem estar bem nas mentiras que convêm

    Vivo com duas mãos
    Em riste, à frente de um peito são
    Sentir o que vai além
    Criado por mim, alimentado por ninguém

    Veja quem está ali
    Inerte, ao chão, dobradas mãos
    Junto a quem pecou
    Não por assim o ser
    Mas porque se transformou
    October 29

    Sem título por enquanto

    Tudo muda em um segundo
    A vida ganha cor
    E a dor se desfaz com alguém que me quer bem
    Tão bem que meus sonhos não vão mais além
    E nem me completam como você sabe fazer

    E aos seus lábios me apeguei
    Meu medo inteiro se desfez
    Você, com seus gestos de amor nu
    Você, com seu rosto à contra-luz
    Me tem

    Nem tudo segue um rumo certo
    E a solidão vem bater
    Pra ver quão forte é nossa vontade de ter

    Os olhos já sem rumo algum
    Nossos desejos viram um
    Você, ao meu lado a acalmar
    Meu ser, frágil e louco pra te amar
    Você

    Tudo que fiz por mim
    Não faz a você jus
    Então eu sei
    Que toda sua luz
    É fonte de um mundo melhor que o meu

    Quero a chance de te ter
    Sem contar dias até poder ver
    Seu sorriso
    Desarmado à meia-luz
    Só sua paz que me conduz
    Na minha solidão sem luz
    Você
    October 03

    Para Baixar a Guarda

    Todo mundo com quem converso não tem idéia de que o que eles dizem podem engatilhar algumas idéias e assim servir de inspiração para alguns escritos. Esse foi inspirado em uma conversa recente. Todo o diálogo serviu de inspiração, mas uma frase em especial foi o gatilho do texto logo abaixo.
     
    "Depois que eu me magoei, eu me fechei muito, passei a acreditar
    menos no amor e nessas coisasde relacionamentos e me tornei egoísta."
     
    O resultado está aí.
     
    Se abafaste seu sorriso
    e hoje o escondes entre as mãos
    Se da vida tens o vício
    de se impor a condição

    Dúvidas latentes
    e lágrimas no olhar
    Um corpo antes tão quente
    Não vai mais se entregar

    Já conheces o caminho
    de rosas sob os seus pés
    Também já apalpaste o espinho
    quando a flor testou a sua fé

    Mas tudo muda ao passo
    de uma nova canção
    Amar novamente não é fácil
    Tão difícil, é auto-perdão

    Pulsos cerrados
    A vida é inimiga então
    No peito, o cuidado
    De carícias à mercê da razão

    De um choro intermitente,
    pode o carinho ressurgir?
    No espelho, o que sentes
    é o amor batendo forte em si

    Agora sabes que
    não podes superar
    A guarda se rende ao encanto do novo
    Pra sua razão conflitar

    Pulsos se abrem
    A vida ganha nova razão
    Mas o medo, sempre
    vai tentar te arremessar ao chão

    E hoje que se aquietas
    e põe um fim à proteção
    que acorrentava-a quieta
    Quer sentir uma nova paixão

    Se o medo de novo bater
    e levantares as mãos
    Basta lembrar-se do que preferes ter
    O amor de novo, ou o fim pela razão

    Abra os braços
    A vida quer lhe receber
    Como uma rosa um novo jardim
    Dores, fracassos
    Não são maiores que seu ser
    E seu novo ser está em mim
    September 13

    A porcos fechados

    Tento assistir ao Jornal Nacional como se não fosse o Animal Planet, mas essa tarefa torna-se impossível dada à ridícula quantidade de porcos, sanguessugas, antas, bichos-preguiça, pavões e moluscos que vejo. Todos eles curiosamente bem vestidos, adestrados, mansos, diplomáticos. Até o momento em que se revelam nada amigáveis com aqueles que lhes deram essa posição de prestígio e tão cobiçada. 
    A última desses canalhas ingratos foi absolver a portas fechadas e em um espetáculo digno de dramalhão mexicano o presidente do Senado. Aproveitando-se de uma teórica “soberania da casa”, esses imundos esconderam suas caras, ignoraram as provas – inclusive as provas falsas, forjadas pelo réu –, e, assim que a porta finalmente se abriu, o cheiro da fossa dessa grande fazenda se revelou diretamente no nariz dos brasileiros. 
    Hoje, quase todos os irracionais que fizeram parte desse processo afirmam que são contra votações sigilosas. No entanto, quem desses animais está trabalhando pela transparência? Por que essa raça cala-se até o momento em que pode tirar proveito dessa maldita “soberania da casa”, para em seguida ter um lapso de consciência e afirmar que é contra o processo?
    Ora, quem é contra um processo não faz parte dele. Quem não gosta das regras não deve jogar o jogo. Quem não gosta do fogo não chega perto do fogão. Até os animais menos dotados têm consciência disso. De uma hora para outra, todos têm vontade de mudar o processo, são contra a falta de transparência. Parecem cachorrinhos mimados fazendo graça em troca de um biscoito ou um pedaço de carne. Em seguida, mordem o bife e não o dividem com ninguém. 
    Mandem às favas as leis que mantém a portas fechadas as decisões mais importantes do país. O bom senso deve ser superior a qualquer tipo de blindagem para esses animais. Por que nós, os expectadores desse imenso zoológico, não temos direito a nenhum tipo de sigilo? Em primeiro lugar, porque recusamos tal direito. Reconhecemos nossas atitudes, nossos erros, inclusive nosso maior pecado, que é não saber escolher os animais que nos guiam. 
    Já que todos os espécimes se mostraram “indignados” e “contrários” ao processo, que pelo menos dêem sinais de que o mesmo irá mudar. E que não se escondam novamente em seu refúgio. Mostrem a cara, batam no peito e assumam suas responsabilidades.
    O mesmo serve para o molusco viajante, que conseguiu, ao mesmo tempo, deixar implícito que foi contrário ao resultado e mostrar uma cumplicidade imensa com todo o processo. Aliás, cúmplices é uma palavra que define bem esse zoológico. Afinal, os homens de bem que se calam diante de todo o mal são cúmplices de toda a tragédia política nacional.
    August 29

    Resposta do Destino

    Lembro dos teus olhos ao me perguntar
    Se há castigo para o amor
    Aquieta teu semblante, vou lhe explicar
    Não é o destino quem traz dor
     
    Fizeste tantos planos pra ficar com alguém
    A tantos outros encarou
    Eu, como destino, só lhe quero bem
    Minha linda, você não pecou
     
    Linda, nunca há castigo
    Muito menos do destino
    Quando um mesmo destino pertence a dois
     
    Olhe na janela, ao cair do céu
    Uma chuva de verão
    Tire de seus ombros todo peso ou féu
    E lave embora a razão
     
    Converso com os anjos, a confabular
    Uma história de amor
    Nela não há punição pra quem só quer amar
    E no fim, não há a dor
     
    Linda, nunca há castigo
    Muito menos do destino
    Porque foi algum casal apaixonado quem tal destino inventou
     
    E no fim não sentirás a dor
    Ao teu lado vou sempre me pôr
    E no fim não sentirás a dor
    Ao teu lado vou sempre me pôr
     
    (Com o doce  toque final de Adriane Almeida)
    July 30

    Os mundos desta vida

    Seu primeiro nome é de galã hollywoodiano. O sobrenome é alemão e designa a profissão de cortador. Porém, o ator Wal Schneider é brasileiro e carrega consigo muitas marcas tipicamente tupiniquins, como a necessidade, a superação, a ingenuidade e o deslumbramento com que muitos brasileiros, principalmente os mais necessitados, encaram aquilo que não conhecem.
    Nascido em Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, Wal participou de uma entrevista no Programa do Jô e encantou a todos com seu jeito encabulado, doce e, mais que tudo, encantado de viver. A primeira mostra de ingenuidade veio logo, quando Jô perguntou se Tabuleiro do Norte ficava perto de Feira de Santana, na Bahia. A brincadeira do gordinho com o Bira já é conhecida de boa parte dos entrevistados, mas não do ator, que, sem pestanejar, respondeu enfático: “Não, é Ceará!”
    E então Wal Schneider foi se soltando para contar sobre a sua pessoa e não demorou nada a revelar o segredo de sua simpatia. “Eu acho que contagio muito com essa base do humor, humor da vida mesmo, de tirar piada de mim mesmo, da minha própria situação, dramática e cômica, porque acho que este é o segredo da vida.” E, realmente, o cearense tinha na veia a arte de contagiar, de simpatizar com os outros e de viver levemente mesmo em meio a tantas dificuldades.
    Essas dificuldades vieram logo cedo. Vindo de família pobre e com seis irmãos, Schneider sabia que o futuro o aguardava distante de Tabuleiro do Norte. Na pequena cidade, com pouco mais de 30 mil habitantes, o que prendia a atenção e encantava o ator eram o circo e a televisão.
    Sem dinheiro para pagar a entrada, Wal se oferecia para vender maça do amor no espetáculo circense, mas não o fazia. Ele preferia apoiar as maças no colo e sentar-se para ver os palhaços. “Assistir o palhaço é uma das coisas mais encantantes [sic] da minha vida. É mágico, é o que despertou meu ser artista.”
    Além de despertar o artista dentro de Wal, os risos e o encantamento proporcionado pelos palhaços ajudaram-no a superar outra dificuldade: “Quando eu vejo o nariz [de palhaço], é como se explodissem ‘N’ sentimentos dentro de mim. Eu acho que é o que me ajudou a sobreviver àquela falta de pai.” O pai de Wal largou a família quando o ator tinha apenas cinco anos.
    Além do circo, a televisão também abastecia os sonhos do garoto. Como não tinha uma TV em casa, ele escapulia até os vizinhos e posicionava os olhos na janela para assistir à TV. “Eu olhava ali e eu dizia: ‘Eu quero aquilo’ [a TV]. Era mais bonito, era mais bonito do que o real. Realmente, até hoje eu acho mais bonito do que o real”.
                    Os gestos empolgados e a pureza com que o ator contou sua história nos fazem pensar sobre como cada um de nós cria o mundo, as dificuldades e os sonhos em nossa cabeça. Por diversas vezes em minha vida, ouvi dizer que “tudo está em nossas cabeças”, ou que “o mundo somos nós que fazemos”. E o simpático cearense se tornou um exemplo claro dessas frases para mim. O mundo para ele não era a falta de pai, os seis irmãos e as dificuldades. O mundo de verdade era o palhaço e a imagem quase nunca perfeita na televisão, mas nítida na cabeça dele.
                    As minhas idéias foram confirmadas quando ouvi Wal dizer: “A gente é muito inocente, acho que até nove anos eu ainda não tinha quebrado este encanto do que é real ou não”. A partir daí, Wal começou a desenhar em sua cabeça uma realidade diferente. Ele poderia pensar que o real fosse a necessidade de se prender àquela cidade e trabalhar de sol a sol para ter o que comer, e que os palhaços fossem apenas... Palhaços.
    Mas o ator fez exatamente o contrário. Conseguiu carona até o Rio de Janeiro, em um caminhão que transportaria melões até a CEASA carioca. Pois o mundo estava desenhado em sua singela mente, e não era o mundo árido de Tabuleiro do Norte. E, mesmo antes de partir, Schneider já se sentiu com o dever cumprido, simplesmente pelo fato de dar uma chance a sim mesmo de conhecer o mundo: “Se acontecer de na estrada eu parar, for interrompida [minha vida], será interrompida comigo lutando por algo, pensei”.
    Chegando ao Rio a duras penas, economizando os R$ 30 que sua mãe juntou, Wal conseguiu emprego de lavador de pratos em um restaurante francês. E pela primeira vez na vida soube o que era um filé. “No Ceará, minha mãe dizia: ‘É sopa de carne’, mas nunca via carne, era só osso”. Ele trabalhou muito até conhecer o Coronel do Corpo de Bombeiros Emílio Carlos Schneider (daí vem o sobrenome artístico do ator, em uma homenagem).
    O coronel ofereceu-lhe abrigo e comida. Em troca, Wal deveria completar os estudos e limpar a casa. Com medo de uma eventual represália por querer seguir uma carreira artística, Wal dizia ao coronel que queria ser advogado. O ator fez cursos de teatro e hoje tem no currículo aparições em novelas da Globo e uma carreira promissora.
    Mais do que a vida de Schneider, a maneira como ele a encarou e contou é o que surpreende e emociona. A ingenuidade, o deslumbramento e o rir por pouquíssima coisa são características raras em adultos, muitas vezes negligenciadas por esse fantasma de que o real é o que se toca, é o que se vê, não o que se pode imaginar e sonhar.
    As referências do mundo de Wal, aquele mundo físico que ele desconhecia até pouco tempo, serão postas à prova agora, quando, mesmo que interpretando supostas realidades, o ator vai encarar a realidade de uma cidade grande e a competição de uma carreira. Mas, ao que parece, o ator vai tirar isso de letra. “Acho que dá para ganhar as pessoas com carinho, no sorriso, com essa energia”.
    Dá sim, Wal. É perfeitamente possível encarar o mundo com sorrisos, com leveza, criando realidades em sua cabeça que todos os outros acham impossíveis, menos você. É possível ver uma televisão para despertar na mente os seus sonhos. É possível ver um palhaço e, além de rir, encontrar uma maneira de encarar a vida.
    Wal Schneider não é alemão e muito menos galã de Hollywood, pelo menos por enquanto. O Wal vem de Waldemir, como em José Waldemir da Silva Gomes, nome que consta em seu RG. O Schneider, reiterando, é uma homenagem ao coronel do corpo de Bombeiros.
    Agora, no Rio de Janeiro e em São Paulo, em meio a inúmeras celebridades, Wal sabe e faz questão de falar para todo o mundo que é famoso. Mas, para sua mãe, assim que chegou à capital, o aviso não foi esse. Wal pegou o telefone, ligou para Tabuleiro e fez questão de falar: “Mainha, eu estou comendo filé mignon com arroz”. Ou seja, um jeito de dizer que estava comendo carne.
    Que o ímpeto de subir no palco, interpretar e divertir os outros não seja um dever, uma obrigação. Que isso continue sendo uma maneira diferenciada de encarar a vida. Afinal, essa tal vida nos encara todo o dia. Uns erguem os pulsos e brigam com ela. Outros fogem amedrontados. Outros, como Wal, riem e abraçam essa tal personagem, a mais mundana de todas elas. 
    July 21

    Balada da Saudade

    Ando em círculos pequenos
    Estranho a falta de zelo
    Visto roupas sem meu cheiro
    E vejo o tempo não passar
    Eu não sinto segurança
    Só me resta a lembrança
    E um toque de esperança
    De logo me acalmar
     
    Tudo está tão diferente
    Tenho um medo displicente
    Do que vê a minha mente
    Se sozinho eu continuar
    Se minha vida continua
    Docemente presa à tua
    Que os passos que a seguram
    Indiquem um mesmo lugar
     
    Já não rio sem motivo
    Por seu cheiro não me guio
    O carinho que eu não sinto
    Desperta o passo do pensar
    Os meus olhos no espelho
    Não escondem o meu medo
    De perder-te para o desejo
    De a distância superar
     
    Passo os dias lentamente
    Em conflitos com minha mente
    Quero ter-te de repente
    Mais rápido que um piscar
    Com fé em algo que não sei
    Com a lembrança do que sonhei
    Tenho certeza que encontrei
    Um sonho distante, mas digno de sonhar
    E não traio meus desejos
    E vou lutar pelos teus beijos
    E vou eternizar nossos momentos
    Aqui, ali, perto, longe, em qualquer santo lugar 
    July 06

    Terra de Porcos

    Quase duzentos anos depois
    Que um grande mártir se foi
    Ergueu-se o sonho de Bosco
    Prosperidade e conforto
     
    Terceiro marco do poder
    E a promessa de crescer
    Convidaram ianques a cá
    Mas só fizeram se endividar
     
    Candangos cobriram o cheque, se instalaram
    Neste Quadro prosperaram
    E quando a base de um João tremeu
    O Castelo fardado se ergueu
     
    Alerta vermelho à vista
    Tanques e armas na pista
    Botando nas Costas dos ideais
    Até hoje Mede-se a tortura aos demais
     
    Bocas e olhos fechados
    Ode ao poder dos soldados
    Gêiseres de dor e ilusão
    Sangue na Figueira dos homens sãos
     
    Atos de silêncio e poder
    Cala-te ou escondo teu ser,
    Jogo seu corpo ao mar
    Pra nunca mais voltar
     
    Até que, derretendo Neves , o Sol brilhou
    Mas em nenhuma janela ele chegou
    Fora abafado e escondido
    Por um plano bem-vindo
     
    A neve enfim congelou
    Em sarnas o povo votou
    Mais uma vez, sem duvidar
    Vimos um país descolorar
     
    Veio a riqueza de alguém
    Com planos e idéias também
    Surgiu um milagre real
    Direitamente legal
     
    Ricos enriqueceram
    Pobres emudeceram
    Até que chegou alguém, até aí,
    Dizendo ser igual aos daqui
     
    Com um a menos na mão
    E muitos a mais no mensalão
    Subiu alguém que antes lutou
    Mas, antes de descer, de todos roubou
     
    Como Papai Noel, uma promessa de barbas
    Que para os seus não fez nada
    Colegas encobriu, escândalos pariu
    Mas, como todos os outros, de algum jeito fugiu
     
    Quase duzentos anos depois
    Que um grande mártir se foi
    A terra ainda é prometida e prospera
    Enquanto o verdadeiro homem espera

    Uma mãe que, de tão gentil, fora estuprada
    E que, desde o português, suporta calada

    Brasília, terra prometida
    Para porcos à surdina
    Se um dia alguém prometeu
    Não foi a pessoas como você e eu.
    May 22

    Belo Sobrenatural

    No conforto de um devaneio
    onde sinto a ponta dos teus dedos
    Momentos intensos em seus leves toques
    em meio a imagens e visões tão torpes
     
    Histórias escritas no jazer de alguém
    que quando desperta não sente o mesmo bem
    Gestos trocados no sereno de um sonho
    tão mais intenso que desejos de tolos
     
    Cenas vividas em paisagens divinas
    pintadas à mão por esperadas carícias
    Despertar significa o fim pois
    de olhos abertos não estás junto a mim
     
    Avivar o fundo da minha mente
    é trazer sua beleza à frente
    de dois olhos que não podem ver
    em lucidez o quão bela é você
     
    Os olhos matam e a verdade dói
    Sua falta finda o que um sonho constrói
    E estes mesmos olhos põem-se a chorar pois
    eles sabem que, despertos, não podem lhe alcançar
     
    Faz-se tão difícil de viver
    A realidade que não me traz você
    É tão melhor sentir suas mãos
    e saber que não sonho em vão
     
    O destino é assim
    Não te tenho junto a mim
    Mas por belo do sobrenatural
    Tocar-te é tão real
     
    Este plano pode impedir
    Mas nossas mentes não nos deixam mentir
    Feche os olhos, posso estar lá
    Tão tangível, pronto para te amar.
    May 07

    Comfort in Blue

    Outside there's a sky so blue?
    So blue you wonder if it's true
    But you rather look inside
    an listen to some blue from your mind
    and that's the only thing keeping you alive, you say
     
    Why do you refuse to talk?
    Why can't you keep your head high while you walk?
    Why do you choose to hide your smile
    and run away from all your pride
    You don't even let your friends inside, you're shut instead
     
    Will you worship the blue?
    Where do you think it's going to lead you to?
    Can't you stop enjoying your disease
    Why do you like when death's so clear
    and why do you do it to please yourself.
     
    Keep on, enjoy the blue
    Stop looking to the sky
    But remember, there'll be no return
    When that blue takes over your so called life.
    April 15

    Imperfections of Life

    As the sun goes down by my side
    It reaches to your window right on time
    While I lay my head and go to sleep
    You are trying again to dream of me
     
    It may seem there’s no way to cross this tide
    And between us there’s much more than just a sky
    Let’s hold our thoughts to twist this fate
    ‘Cause no distance will make our hearts fade
     
    Ease your soul and
    Feel my words and
    Sense the air and
    Look away ‘cause
     
    I’m holding you despite imperfections of life
    You’ll fell my arms if you glide with your mind
    After all, I believe, we’re closer than we thought
    Then wait for me
     
    Destiny can sometimes play in time
    It throws our luck and blindfolded we must find
    We’re not close as time/space allow
    But we sure can feel the same steady ground
     
    ‘Cause time/space means nothing for those who feel
    The meaning of someone far away, but far more real
    Than anything you’ve touched or thought was right
    Someone who taught you that there’s life outside your mind
     
    Shine your light and
    Close your eyes and
    Hold your tears then
    Your arms await me ‘cause
     
    I’m sending a hug that no human means can
    I’m easing our pain even so far away then
    Close your eyes, please believe, I’m anywhere you want
    ‘Cause our fate likes to play
     
    And that’s why I can see
    Your comforting light
    Shining strong and bright
    Only for me
    ‘Cause our fate likes to play
    ‘Cause our fate likes this way
    ‘Cause we'll find our way
    through this same old fate.
    April 12

    Princípios da Vida

    Foi em um papel amarelado
    Em um canto, ao acaso encontrado
    Que certas palavras me prenderam ao tempo
     
    “Você que mal criou as asas
    Mas já precisa voar
    Talvez o mesmo que mal vive a terra
    mas o céu já deseja alcançar
     
    Minhas palavras podem não ser fiéis
    À realidade do sangue novo que ferve
    Mas é do tempo que me levou e dele o revés
    Que quero falar, e essa tinta e um papel é tudo que me serve
     
    Celebre a sua primeira vitória
    O seu primeiro momento de glória
    Quando saiu de um ninho intocável e aconchegante
    Para a luz de um mundo veloz e desafiante
     
    Comemore tudo o que vier primeiro
    Um passo, uma palavra, um gesto e um beijo
    Mas  também perdoe sua delicada memória
    Pois nada disso ela lhe aflora
     
    Vibre com a primeira série
    Porque se antes não sabia
    É com ela que aprendes um alfabeto inteiro
    E, acredite, as letras são tudo o que precisa
     
    Se sentes estranho ou diferente
    Não apague o ser reluzente
    Que brilha nas maiores dificuldades
    E não se abate por vaidades
     
    Não queira conhecer o mundo
    Mais do que esse mundo precisa te conhecer
    Abra uma porta para dentro e vá a fundo
    E saiba antes o que tem para o mundo a oferecer
     
    Faça amigos, lembre-se de nomes
    Mas com estranhos também seja nobre
    Pois talvez o nome mais comum que você se lembre seja problema
    Cada um tem os seus, mas pense bem neste dilema
     
    Esbanje carinho, amor, afeto e atenção
    Mas alguém especial pode precisar mais de seu coração
    Se tentar se dividir por igual, pode até conseguir
    Mas seja especial, faça alguém especial, isso é o que faz sorrir
     
     
    Com os desejos, cuidado
    Não queira o mundo a cabo
    Também não se feche em um lugar
    Escondido, onde o Sol não consiga brilhar
     
    Amores, que sejam muitos
    Mas torço para que fique junto
    Daquele que a todos os outros superou
    Chamou sua atenção e o seu fogo aquietou
     
    A idade é uma invenção
    Apenas olhe o coração
    Ria como criança e de um jovem mantenha a esperança
    E o tempo será só mais um detalhe nessa dança
     
    Não conte os dias para o fim
    Conte todo o resto, talvez igual a mim
    Pode acontecer de não ter ninguém para escutar
    Por isso um papel e uma caneta é sempre bom guardar
     
    A um desconhecido conto minha vida
    Pena que não contei minha sina
    De não ter feito nada do que escrevi
    E só lamento por precisar dizer que nada disso vivi”
     
    E neste papel amarelado
    Ao acaso encontrado
    Tenho fé que ainda há tempo de comemorar
    Ao menos a minha primeira vitória: chegar neste lugar